Aos 47 anos, ex-cobrador de ônibus supera dificuldades e cursa medicina na UnB

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aos 47 anos ex cobrador de onibus supera dificuldades e cursa medicina na unb
Foto Reprodução: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Prestes a iniciar o internato no curso de medicina, o ex-cobrador de ônibus Gilberto Arruda Rodrigues, 47 anos, olha para trás e vê o quanto lutou para chegar à Universidade de Brasília (UnB). Tendo passado por experiências difíceis, como a perda dos pais e a quase paraplegia, ele pretende terminar a faculdade e mostrar que é possível dar a volta por cima.

Desde pequeno, o ex-cobrador se considera uma pessoa obstinada. Nascido em Ceilândia, Gilberto ficou órfão da mãe quando tinha 9 anos e, aos 18, teve de lidar com a morte do pai. Criado pela madrasta, utilizou o skate como uma maneira de não perder o foco na vida. “Restaram só minha madrasta, minha irmã e eu”, conta. Ele chegou a disputar alguns campeonatos na modalidade.

Foram 14 dias em coma, e o diagnóstico era o de que jamais seria possível voltar a andar. “Fiquei mais de um ano só na cama ou cadeira de rodas. Após uma cirurgia no meu pé, passei a ter alguma possibilidade de voltar. Passei a andar com muleta por um tempo e, depois, consegui andar sozinho, por volta de 2002”, detalha.

A vida começou a voltar ao normal. Gilberto se casou, teve três filhos e passou esse tempo cuidando das crianças. “Nessa época do casamento, eu ficava em casa enquanto a minha esposa ia estudar. Fiz também um curso de técnico em eletromecânica no IFB [Instituto Federal de Brasília] e já tinha vontade de fazer faculdade nesta área”, comenta.

Em 2013, logo após se formar no IFB, Gilberto foi aprovado em engenharia eletrônica na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Ponta Grossa. Após poucos meses na cidade, acabou desistindo do curso. “Voltei para Brasília, minha ex-esposa passou em letras/libras na UnB em 2014, fiquei estudando em casa este período e cuidando das crianças, porque eram três: um menino de 8 anos uma menina de 9 e outra de 12”, relembra.

Foram cinco anos em casa estudando para passar na UnB. A princípio, em alguma engenharia, mas depois de um sonho com o médico que operou o pé de Gilberto, ele se sentiu predestinado a seguir a profissão. “Tive um sonho antes de passar, onde eu estava no ICC [Instituto Central de Ciências] com o médico que operou meu pé, e a gente conversava. Ele dizia que ia me dar aula”, relata.

Em 2018, Gilberto passou na 3ª chamada. O começo, relembra, foi bastante difícil. “Eu chorava muito, pois tinha bastante dificuldade para entender algumas coisas básicas. Com a ajuda dos professores e de colegas, no entanto, consegui diminuir a defasagem que eu tinha de certas coisas.”

Atualmente, ele está no 7º semestre e se sente grato por tudo o que conseguiu superar para estar tão perto de conseguir realizar o sonho. “Sempre acreditei que o conhecimento é um fator que nos ajuda. Ainda que a gente tenha qualquer dificuldade, é possível dar a volta por cima”, frisa.

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