Abstenções poderão ser decisivas no cenário eleitoral

Facebook
WhatsApp
Telegram
Email

Eleitores que se abstêm do voto podem mudar os rumos na corrida eleitoral deste ano no país

abstencoes poderao ser decisivas no cenario eleitoral
Foto Reprodução: João Godinho – 23.9.2022 e Flávio Tavares – 16.8.2022

Diante da disputa apertada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) na corrida pelo Palácio do Planalto, pequenos fatores podem fazer toda a diferença para decidir se o pleito terá ou não segundo turno. A maioria das pesquisas de intenções de voto mostra que o percentual de votos válidos do petista está por volta dos 50%, portanto dentro da margem de erro para o prolongamento ou não da campanha para além deste domingo. Entre os pontos que podem ser decisivos estão as abstenções, que em 2018 englobaram quase 30 milhões de eleitores – cerca de 20% do total de pessoas aptas a comparecer às urnas.

Do lado de Lula, analistas políticos ouvidos por O TEMPO pontuam que há duas preocupações: a alta abstenção entre os eleitores de baixa renda e a não obrigatoriedade de votação por parte dos adolescentes de 16 e 17 anos. No pleito de 2018, praticamente metade dos analfabetos, público formado sobretudo por pessoas de baixa renda, não compareceu aos locais de votação, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Três em cada dez que apenas leem e escrevem também não compareceram. A última pesquisa Datafolha mostra que o petista tem a preferência de 61% daqueles que ganham até dois salários mínimos, portanto tende a ser o mais prejudicado em caso de abstenção elevada nessas parcelas.

“A abstenção, via de regra, beneficia aquele que está na frente nas pesquisas, pois diminui o número de votos válidos. No entanto, como estamos numa faixa pequena para definir ou não um segundo turno, eu acredito que o número de abstenções pode levar o pleito para o segundo turno. Dependendo da característica do eleitorado não votante, se ele for da classe mais baixa, provavelmente quem vai perder com isso é o Lula”, diz Christopher Mendonça, doutor em ciência política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professor de relações internacionais no Ibmec.

Mendonça, no entanto, lembra que as pesquisas de intenções de voto não mapeiam o perfil daqueles que vão se abster nas eleições de 2 de outubro. As análises, geralmente, são feitas no que a série histórica dos pleitos no Brasil mostra: um desfalque maior entre os eleitores de baixa renda e os mais idosos – embora esse último grupo represente uma fatia menor daqueles que estão aptos a votar.

Na mesma toada, o último Datafolha mostra que Lula tem 57% das intenções de voto dos eleitores entre 16 e 24 anos – ante 26% de Bolsonaro. Neste ano, o TSE realizou várias campanhas para incentivar os adolescentes de 16 e 17 a tirar o título de eleitor, o que contou com esforços até mesmo de famosos, como a cantora Anitta. No entanto, como essas pessoas não são obrigadas a votar, um eventual índice de abstenção alto dos mais jovens pode impedir o triunfo do ex-presidente no primeiro turno, como explica o professor e cientista político da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-Eaesp) Marco Antônio Teixeira.

“A pessoa, para sair de casa, precisa estar motivada a participar do processo democrático. Se eu fosse da equipe do Lula, eu me preocuparia mais com o (eleitor) jovem. Cresceu o número de alistamentos, mas essa possível abstenção causaria um problema maior para o Lula. Na camada etária mais alta (os idosos), a abstenção tende a ter um efeito menor na eleição, porque é uma camada que, em termos de volume, é menor”, analisa Teixeira.

Casos de violência influenciam

Outro fator lembrado pelos especialistas do Ibmec e da FGV é a escalada da violência política. Os recorrentes ataques, sofridos sobretudo por eleitores do ex-presidente Lula, podem influenciar o comportamento do eleitor e incentivar a abstenção. “O sistema tem que ajudar também, porque o debate não tem sido produtivo. A violência está muito forte, pode ser um desestímulo. Coloca medo no eleitor. Parece jogo de futebol em que a gente vai precisar separar as torcidas”, afirma Marco Antônio Teixeira.

Diante de tal cenário, Chris topher Mendonça, do Ibmec, lembra a possibilidade do chamado “voto envergonhado”, que não é manifestado pelo eleitor nas pesquisas. “Quanto mais aumenta a violência política, menos as pessoas querem se pronunciar com respeito ao seu voto. Não acho que isso a faça deixar de votar, ainda mais neste momento em que o TSE proibiu o uso de celular na cabine, o que aumenta o sigilo do voto. As pessoas terão mais liberdade. Mas a gente não sabe quem será beneficiado com isso”, afirma.

Siga o PB24horas Instagram

Compartilhe:

Facebook
WhatsApp
Telegram
Email

Deixe seu comentário:

Noticias Relacionadas