Foooogo!

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Foooogo!

A broca estava pronta. A caatinga foi derrubada logo depois de o marmeleiro cair a folha. Todo o mato foi cortado, menos uns poucos pés de juazeiro. De perto deles foram retirados outros matos para protegê-los do fogo que mais tarde havia de botar.

Os aceiros do lado sul e norte foram bem feitos, sobretudo do poente. Tinham uns três metros de largura e a terra foi até varrida para tirar qualquer folha seca. Senão o fogo quando viesse, açoitado pelo vento, ia de caatinga adentro deixando tudo em cinzas.

Para evitar que a broca ficasse com muito mato sem queimar e não fosse fazer coivaras e mais coivaras, deixando porções de terras sem cinzas férteis, o mato bem rebaixado, bem cortado, e escolher uma hora depois de meio dia, a queima da broca podia ser boa.

Pontos de água foram distribuídos ao longo dos aceiros, sobretudo para a posição poente para onde o vento naquelas tardes costumava soprar.

Acende o fósforo. Começa o fogo. Com fachos bem acesos em marmeleiro de quase estacas, homens cuidadosos na distribuição do fogo se direcionam opostamente. A depender do vento, observadores gritam para continuar ou dar um tempo no atear o fogo. Andam mais depressa. Ou mais devagar. Todo cuidado é pouco para não fechar o fogo antes que as laterais e fundos da broca não tenham se alargado com o fogo inicial.

Por certo momento faz silêncio. O grito parece chamar o vento. Quando constatado sua direção, gritos são ouvidos: “fechar o fooooogo!
Fachos se ainda acesos ou outros sobressalentes, terminam o serviço.

Todo o perímetro é uma só cortina de fogo! A fumaça sobe. Tampa parcialmente o sol. De repente o fogo chama o vento. O fogo deita sobre o mato seco. Ouve-se o estalar da macambira, do mufumbo ainda verde. O ronco do fogo é forte. Chega a dar medo! Pensa na cobra corre-campo, no preá, nos filhotes da rolinha, na cigarra, …
De tanto chamar o vento, este se junta em redemoinho. Forma um cone de fogo. Passa pelos ares dos limites dos aceiros. Multiplicam os fachos para queimar a caatinga!

Por: Antonio Fabiano Duarte

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