Jumento no Ceará é vendido por baixo valor, mas pele pode chegar a R$ 1.500 na China, gerando alerta ambiental e sanitário.

O jumento no Ceará, símbolo histórico do sertão, voltou ao centro do debate após a revelação de que animais vendidos informalmente por valores entre R$ 1 e R$ 10 podem ter a pele comercializada por até R$ 1.500 na China. O material é usado na produção de colágeno e cosméticos, movimentando um mercado internacional ligado ao chamado ejiao.
Apesar do alto valor no exterior, especialistas alertam que a atividade não representa uma cadeia produtiva segura para o agro local. A falta de rastreabilidade e o comércio informal aumentam preocupações sanitárias e ambientais.
Segundo especialistas ouvidos pelo Diário do Nordeste, a reprodução lenta do animal torna inviável uma produção em escala semelhante à pecuária tradicional. A gestação das fêmeas dura cerca de 12 a 13 meses, geralmente com apenas um filhote por vez.
Além disso, o desenvolvimento completo do animal pode levar de três a cinco anos, dificultando qualquer reposição rápida. Por isso, o abate em ritmo acelerado ameaça diretamente a população de asininos no Brasil.
No Ceará, a situação é ainda mais delicada, já que o estado registrou queda superior a 72% no número de asininos entre 1995 e 2017. Dados citados na reportagem apontam que o rebanho passou de 193.176 para 53.233 animais no período.
A redução é associada ao abandono, ao abate predatório e à perda da função econômica tradicional do jumento no meio rural. Entre janeiro e abril de 2026, o Detran-CE recolheu 549 asininos abandonados em rodovias estaduais.
A discussão também chegou ao campo político, com proposta para proibir o abate de jumentos no Brasil avançando no Senado. Na Bahia, onde ficam frigoríficos ligados à exportação, o abate foi proibido por decisão judicial em abril. Defensores da proteção animal afirmam que o jumento tem valor ecológico, cultural e histórico para o Nordeste.
A saída apontada por especialistas é investir em conservação, reconhecimento racial e novas formas de reinserção da espécie na sociedade.
Fonte: Diário do Nordeste
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