Foto Reprodução: Getty Images

Lourenço Pereira, de 69 anos, morreu no Hospital Caridade de Alecrim, no Rio Grande do Sul, dois dias após ter feito quatro sessões de nebulização de hidroxicloroquina diluída. Segundo o portal Gaúcha ZH, o tratamento, sem eficácia comprovada e considerado experimental por não constar nos protocolos do Ministério da Saúde contra a Covid-19, foi prescrito pelo médico Paulo Gilberto Dorneles.

“O que pretendemos é buscar justiça para tudo o que ocorreu com o meu pai no período da internação, para que outras pessoas não passem por tratamentos experimentais. Não teríamos autorizado, sobretudo por sabermos que essa conduta médica não tem base legal”, diz a filha Eliziane Pereira, de 32 anos.

Lourenço Pereira costumava ir de sua residência, na divisa da cidade de Alecrim, de bicicleta até a área central da cidade. No último dia 19, ele não conseguiu terminar o trajeto por sentir falta de ar.

O idoso comunicou a situação à filha Eliziane, que mora em Porto Alegre. Ela chamou uma ambulância, que levou o homem ao hospital.

Hidroxicloroquina diluída

A hidroxicloroquina, remédio também sem uso comprovado para tratamento da Covid-19, deve ser ingerida pela via oral, mas alguns médicos passaram a aplicar a técnica experimental em pacientes de Covid-19. Profissionais críticos da prescrição alertam para os riscos de a inalação do fármaco causar efeitos adversos, como taquicardia.

A família do paciente Lourenço Pereira diz não ter sido consultada sobre as nebulizações e afirma que não emitiu nenhuma autorização.

Eles fizeram uma denúncia ao Ministério Público requerendo a investigação do caso alegando que a medicação contribuiu para a piora do quadro de saúde de Pereira.

Outras mortes

Não é a primeira vez que pacientes com Covid-19 morrem após terem recebido a hidroxicloroquina diluída em soro. No último dia 24, três pessoas faleceram no Hospital Nossa Senhora Aparecida, em Camaquã, também no Rio Grande do Sul.

Nesses casos, o quadro clínico das vítimas variava entre estável e grave, e evoluíram para óbito rapidamente após o início dos tratamentos experimentais ministrados pela médica Eliane Scherer.

Mesmo com as mortes, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) defendeu o uso da medida contra a Covid-19. No último dia 21, o chefe do Executivo federal disse que pacientes poderiam usar a hidroxicloroquina diluída “fora da bula”.

“Nós temos uma doença que é desconhecida, com novas cepas, e pessoas estão morrendo. Os médicos têm o direito, ou o dever, de que, no momento que falta um medicamento específico para aquilo com comprovação científica, ele pode usar o que se chama de off-label – fora da bula”, disse o presidente à Rádio Acústica.

Bolsonaro citou o caso de Eliane Scherer. A médica foi demitida após as mortes, pois adotou uma técnica não prevista em protocolos de saúde e, além disso, teria colocado em risco a vida de outros pacientes por ter feito a nebulização em ambiente aberto.

Um dos pacientes de Eliane, que também veio a falecer, era o vereador e ex-prefeito de Dom Feliciano (RS) Dalvi Soares de Freitas. O político estava internado no Hospital Nossa Senhora Aparecida, em Camaquã (RS).

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