Homenagem: Antônio de Pádua Fernandes

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Homenagem Antônio de Pádua destaca a trajetória de um músico, compositor e escritor que marcou a cultura brasileira

Homenagem: Antônio de Pádua Fernandes

A cidade de Uiraúna se orgulha de seus filhos ilustres, e poucos representam tão bem a diversidade cultural e intelectual do sertão paraibano quanto Antônio de Pádua Fernandes. Mais do que um simples artista, Tony Pádua, como é conhecido, construiu uma ponte sólida entre a música, a literatura e o serviço público, deixando um legado que inspira as novas gerações. Sua história, repleta de paixão pela arte, começa ainda na infância, quando já encantava a plateia nos programas de calouros locais.

A vocação musical de Antônio de Pádua despontou cedo. Ainda menino, participava dos concorridos programas de calouros no salão paroquial, apresentados por Peta, onde frequentemente conquistava os primeiros lugares. Esse talento precoce foi lapidado por Ariosvaldo Fernandes, que lhe ensinou a ler e escrever partituras. Aos 12 anos, a habilidade já era tamanha que ele integrava a banda JMJ, e aos 14, demonstrava seu espírito de liderança ao formar a primeira orquestra de aprendizes de músicos na região, embalando os carnavais de 1969 e 1971 no Uiraúna Tênis Clube.

A inquietude criativa de Pádua o levou a fundar, na época da Jovem Guarda, o conjunto “Os Iguais”, uma formação que marcou a memória afetiva da cidade. Com Geraldo Moisés (sax), Zé Neto (guitarra), Téo (cantor), Assis Jamelão (bateria) e Tony (piston), o grupo traduzia a efervescência musical da juventude uiraunense. No entanto, o talento do músico não cabia nos limites do município, e em 1970, ele partiu para novos desafios, levando sua música instrumental para outras plagas do Nordeste.

A década de 70 foi um período de intensa movimentação artística e geográfica na vida de Antônio de Pádua. Após uma breve passagem pela orquestra Manaíra, em Cajazeiras, ele seguiu para Patos, onde integrou “Os Jovens”, conjunto considerado o melhor da Paraíba à época. O destino seguinte foi Juazeiro do Norte, no Ceará, terra que o acolheria por longos períodos e onde participou do conjunto Hildemartin Som. Paralelamente à música, formou-se em contabilidade, mostrando sua versatilidade, mas a estrada o chamou novamente para uma passagem pelo conjunto Sambrasa, em Teresina, onde o calor excessivo o fez retornar ao Cariri.

Foi em Juazeiro do Norte que sua carreira deu um salto significativo. Em 1977 e 1978, gravou seus primeiros compactos pela gravadora Rozemblit, no Recife. Em 1979, a busca por novos horizontes o levou a São Paulo, onde respirou a efervescência cultural da metrópole, tocando em diversos conjuntos e orquestras. Esse período foi profícuo para sua veia de compositor, com músicas gravadas por nomes de expressão nacional. Entre as composições que ganharam o país, destacam-se “O Sonhador”, “Pingos de Amor”, “Você” e “Foi Ela”, todas eternizadas na voz do cantor Silvio Brito, além de parcerias com o Trio Nortista e outros artistas.

Entre 1981 e 1995, Antônio de Pádua equilibrou sua vida artística com o papel de formador e gestor cultural. Enquanto percorria o Nordeste tocando piston com o conjunto “Ivanildo Sax de Ouro”, assumiu a importante missão de ser maestro da banda de música do Círculo Operário de Barbalha e, em parceria com o prefeito de Juazeiro do Norte, fundou e regeu a banda de música municipal por dois anos. Sua atuação como educador se estendeu também à instrução da banda marcial da Escola Técnica de Comércio de Diniz, ao mesmo tempo em que expandia seu talento para a escrita, publicando artigos em jornais e lançando seu primeiro livro de poesias, “Disfarce”.

A história desse multifacetado artista não para por aí. Em 1995, gravou seu CD independente e, no ano seguinte, formou a banda Alucinação, que agitou a cena musical até 1999. Suas composições continuaram ecoando em vozes como Luiz Fideles, Baby Som, Xaxa, Fran e Félix e Forró de Nós. De volta a Uiraúna em 2012, eternizou seu compromisso com a comunicação ao fundar o primeiro jornal impresso da cidade, “O Clarim Uiraunense”. A trajetória de Antônio de Pádua é, sem dúvida, um rico capítulo da história cultural do sertão, onde a música e a arte sempre foram o fio condutor de uma vida dedicada à emoção e ao saber.

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