Foto: Reprodução

A BMJMJ foi fundada em janeiro de 1914, pelo Padre Costa, tendo a colaboração do Marcelino Vieira da Costa e o músico uiraunense Zequinha Correia que na época saíram em comissão por toda vila, angariando fundos para a compra de instrumentos musicais . Conforme esse autor, além dos músicos citados, outros quatro advindos de Missão Velha/CE, contribuíram sobremaneira para a criação do grupo. Vale mencionar que esses cearenses eram refugiados da rebelião que ficou conhecida como a “Revolta do Juazeiro” que tinha como um dos enfrentantes o Padre Cícero.

O quarteto cearense era formado pelos seguintes componentes: Raimundo Sá (primeiro maestro) tocava clarineta; Luiz Barreto (segundo maestro) tocava trompete; José Brígido tocava trombone; e José Passos, que tocava Bombardino.

Estes homens, juntamente com outros membros da comunidade, vieram a formar a Banda “Costa e Correia”, nome dado à primeira banda de música do município de Uiraúna.

Sobre essa primeira formação da banda de Uiraúna Cardôso afirma:

“O conjunto foi assim denominado em homenagem à localmente prestigiada família Correia, que contribuiu decisivamente para sua fundação. A Banda de Música Costa Correia permaneceu na ativa entre os anos de 1914 até 1927, quando deixou de funcionar em virtude da volta dos refugiados cearenses e da desistência de outros que contraíam matrimônio”.

Não se sabe ao certo se esses músicos aprenderam música em Juazeiro do Norte, Crato ou no município de Missão Velha, o que encontramos na literatura foi um trabalho que cita a banda do Crato como uma das mais antigas do Brasil. Segundo relata Almeida, “No Ceará no século dezenove, além da banda da Polícia Militar, existia ainda a banda de música do Crato, na região o Cariri, que foi fundada por Padre Cícero, em 1880, fazendo quase 130 anos de história”

Conforme depoimento do antigo maestro Dedé Gomes (1917 – 2014), mais conhecido como Dedé de Capitão5, apenas três regressaram para a sua terra natal, ficando em Uiraúna um dos cearenses e constituindo família, que foi o senhor José Passo que morou no sítio Rio do Peixe. Segundo nos revela Galiza (2014), os primeiros músicos de Uiraúna que tocavam na primeira formação foram os seguintes: Antonio Caboclo – Trompete; Zé de Velhinho- Trompete; Antonio Francisco – Tuba; Antonio Correia – Tuba; Major Guedes – Clarinete; Zezé de Cazuza – Trombone; Zé de Capitão – Trompa; Luiz Rodrigues – Prato; Duca Rodrigues – Bombo; Firmo Correia – Bombardino; Israel Fernandes – Trompete; João Manelzinho – Baixo mib; José Fernandes – Requinta; Chico Manuelzinho – Clarineta; João Teotônio – Trompa; José Coelho – Tarol; Chico Banco – Clarineta; José Bastião – Surdo .

Em 1930, período no qual o padre Anacleto exercia a função de pároco de Uiraúna, quando veio à vontade de reativar as atividades musicais, ou seja, de levantar a Banda após ter passado mais de três anos inativa. A partir da iniciativa deste religioso para a restauração do grupo, surgiu a atual designação “Banda de Música Jesus, Maria e José”, uma homenagem aos padroeiros da igreja de Uiraúna. A Banda então foi apoiada e patrocinada pela igreja católica com doações constantes de instrumentos até o ano de 1975. A imagem abaixo apresenta o grupo na década de 70.

Nessa direção, para dar continuidade às atividades artísticas do grupo, se tornou desnecessária a vinda de maestros e professores de música de outros Estados.

A própria Banda, ao longo das últimas décadas, tem formado os seus maestros. Dentre eles podemos destacar:

Neco Manuelzinho, um clarinetista, que tinha como contramestre Zequinha Correia, Maestro Dedé Gomes ou Dedé de capitão (como ficou conhecido que esteve à frente da filarmônica por mais de 40 anos). Walter Luz Alencar, exímio clarinetista e saxofonista e depois de sua trágica morte assume o maestro Geraldo Moisés que rege nos dias de hoje.

Nesta trajetória centenária, a Banda tem sido frequentemente convidada para tocar em eventos diversos, tais como: a festa da padroeira, bailes, carnavais, entre outros; como também em festivais e concursos de bandas. Vale mencionar que a Banda se desligou da igreja Católica Romana e passou a pertencer ao Poder Público a partir de 1976. Tendo em vista que o objetivo
geral desse trabalho não é relatar toda a história desse grupo, a seguir serão apresentados alguns eventos que foram memoráveis na trajetória da Banda.

Entre eles vale mencionar o Concurso que teve a final em Campina Grande/PB em 1962. Nesse evento promovido pela Argos Industrial de São Paulo, o grupo, obteve a segunda colocação.

Ainda relatando algumas premiações relevantes, em 1973, a BMJMJ alcançou o segundo lugar na Paraíba. Um evento promovido pela Gran-Pires e PBTUR (Empresa Paraibana de Turismo) realizado na E. C. Cabo Branco (Clube esportivo Cabo Branco), na capital do Estado.

No ano de 1980, obteve o primeiro lugar no festival de bandas do interior, realizada na cidade de Sousa.

Atualmente, a BMJMJ se encontra sob a regência do maestro Geraldo Moisés de Andrade e é composto por cerca de 40 componentes, entre homens e mulheres. O grupo é formado pelos naipes de instrumentos de madeiras, metais e percussão. São sete clarinetas, um flautim, um saxofone barítono, oito saxofones alto, três sax tenores, dois bombardinos, duas tubas, cinco trompetes, seis trombones de vara, um caixa de guerra, um surdo médio, dois bombos fuzileiro, um pratileiro e o maestro.

A BMJMJ completa, 107 anos. Ao longo de sua história tem desempenhado um papel sociocultural significativo entretendo através da sua performance a população local, bem como os turistas que visitam a cidade. Por intermédio deste grupo, Uiraúna tem sido conhecida nacionalmente como a “terra dos músicos”, pois através de suas escolas de músicas e de seu povo apreciador da arte musical, a Banda, apesar das transformações culturais com o grande crescimento das bandas marcias e fanfarras têm desempenhado o seu papel junto à sociedade.

Deste modo, podemos afirmar que a BMJMJ destaca-se na formação inicial de músicos do município de Uiraúna. Todavia, conforme evidenciam os anais da história desse grupo, a Banda, tem formado não somente músicos, mas houve componentes que se tornaram médicos, advogados, juízes, enfermeiros, dentistas, professores e, claro, músicos profissionais nos mais variados agrupamentos musicais espalhados pelo Brasil.

Nesse contexto, destacamos também a presença de músicos saídos da BMJMJ para trabalharem como maestros e regentes na formação de bandas de música, bandas marciais e filarmônicas. Podemos citar os seguintes artistas: o senhor Ariosvaldo Fernandes que fundou a banda de música da cidade de Tenente Ananias/RN; Geraldo Moisés que fundou a banda da cidade de Araripina/PE; Walter Luz Alencar e Saliege Fernandes, ambos fundaram a banda da cidade de Marcelino Vieira/RN; Sargento Cesar Almeida, maestro da banda da cidade de Pedra de Fogo/PB; Antonio de Pádua maestro da banda da cidade de Juazeiro do Norte/CE; Victor Emanuel, maestro da cidade de Bacabau no estado do Maranhão; Ewerton Luiz, maestro da banda da cidade de Major Sales/RN; Geraldo Moisés Júnior (autor deste trabalho), maestro e fundador das bandas: Nossa Senhora dos Milagres na cidade de Bernardino Batista/PB; Banda marcial Poeta Evaristo da cidade de Joca Claudino/PB; Banda marcial José Milton Santiago da cidade de Poço Dantas/PB. O mesmo ainda atua como maestro nas bandas Ariosvaldo Fernandes e banda marcial Constantino Fernandes, ambas na cidade de Uiraúna/PB.

Também devemos frisar a importância dos músicos que são frutos da BMJMJ e atuam na música instrumental animando as festividades sociais nas noites tocando em orquestras e grupos musicais, como também, em rodas de chorinho e orquestras de frevo. Há exemplos como o de Raimundo Conrado (vulgo, Diquê) que atua em eventos da capital potiguar; Xavier Fernandes que toca em diversos grupos na cidade de João Pessoa/PB; Joab Sobreira Andrade, exímio saxofonista, que toca desde o chorinho até o jazz, também na cidade de João Pessoa.

Colaboração Especial: GERALDO MOISÉS DE ANDRADE JÚNIOR

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