China reduz 78% as compras de soja dos EUA. Brasil assume liderança nas exportações. Guerra tarifária redefine o mercado global de grãos. Saiba mais.

A China interrompeu drasticamente as compras de soja dos Estados Unidos, em uma movimentação que redefine os fluxos do comércio global. Entre janeiro e agosto de 2025, as vendas americanas ao país asiático despencaram 78% na comparação com 2024. Essa mudança radical é um reflexo direto da guerra tarifária entre as duas maiores economias do mundo.
A medida, que impõe tarifas de cerca de 20% sobre a soja norte-americana, abriu um espaço colossal no mercado. Com isso, o Brasil rapidamente assumiu a liderança nas exportações do grão para a China. Apesar da demanda chinesa por soja ter batido recordes, esse apetite passou a ser saciado majoritariamente por fornecedores brasileiros e argentinos.
O impacto vai muito além da soja. O relatório da American Farm Bureau Federation alerta para uma redução gradual da dependência chinesa em outros produtos agrícolas dos EUA. As exportações totais do setor para a China devem cair para US$ 17 bilhões em 2025, uma queda de 30%, e podem chegar ao menor nível desde 2018 no ano seguinte.
Diante do cenário de crise, com o aumento das falências rurais, o governo dos EUA planeja um pacote de socorro de cerca de US$ 15 bilhões. A situação, agravada pela oferta global elevada, coloca pressão extrema sobre os preços e a renda dos produtores, gerando fortes críticas à gestão de Donald Trump.