Caso PF muda de patamar com menção à família.

O caso Sergio Moro versus Jair Bolsonaro vai ganhando contornos desfavoráveis ao presidente da República. A encrenca mudou de patamar a partir da combinação do conteúdo da gravação da reunião ministerial ocorrida em 22 de abril e dos depoimentos de delegados da Polícia federal.

Quem assistiu à gravação informa que Bolsonaro de fato aparece na fita pressionando Sergio Moro para trocar o chefe da PF no Rio de Janeiro, seu berço político. E ameaça demitir o diretor-geral da PF e o próprio ministro se não for atendido.

Há mais e pior: Bolsonaro teria associado a mudança ao desejo de proteger a sua família. Confirmando-se o teor do vídeo, surge um motivo palpável para a suspeita de intervenção do presidente na PF: a proteção da família.

Maurício Valeixo, delegado de mostruário, batizado nas águas da Lava Jato, disse ter sido afastado da direção-geral da PF com a falsa alegação de que pediu para sair. Não pediu. E não houve a apresentação de uma razão objetiva para a substituição.

Ricardo Saadi, retirado do comando da PF no Rio no ano passado, refutou a alegação de que saiu por falta de produtividade. Ao contrário, apresentou evidências de que, sob sua gestão, os índices de eficiência no combate ao crime organizado no Rio deram um salto.

Ou seja: o delegado Saadi caiu por excesso de eficiência.

Formou-se o seguinte cenário: Bolsonaro foi apanhado forçando a porta da PF com um pé de cabra. Quando conseguiu entrar, Sergio Moro deu o grito.

Bolsonaro soou numa fita invocando em reunião ministerial o desejo de proteger a sua família. Mas o presidente pede aos brasileiros que façam como ele, se fingindo de bobos para acreditar que a intervenção na PF visava o bem do país, não da família Bolsonaro.

O caso reclama mais investigação.