FOTO REPRODUÇÃO: ANDERSON RIEDEL / PR / CARTA CAPITAL

A verba utilizada neste período era para a campanha sobre a Reforma da Previdência

A CPMI das fake news, do Congresso Nacional, produziu um relatório mostrando que o Governo Federal publicou 653.378 anúncios em 47 canais de notícias falsas. O levantamento mostra, também, que sites oferecendo investimentos ilegais e até aplicativos com conteúdo pornográfico faziam parte dos anúncios.

Divulgado nesta terça-feira 02 pelo jornal O Globo, o relatório mostra as movimentações feitas nos últimos 38 dias pelo governo de Jair Bolsonaro. Ao todo foram feitos 2,065 milhões de anúncios pagos com verba da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom).

A verba utilizada neste período era para a campanha sobre a Reforma da Previdência e se refere a recursos distribuídos na internet por meio da plataforma Adwords e Adsense do Google. Essa publicidade é direcionada de forma automática aos sites pelas plataformas, mas é possível ao anunciante bloquear tanto sites específicos quanto categorias de assuntos.

Entre esses canais estão 47 sites que divulgam notícias falsas, 741 canais do Youtube que foram removidos pela plataforma por descumprimento de regras, 12 sites com notícias sobre jogos de azar, sete que fazem ofertas de investimentos ilegais e quatro com conteúdo pornográfico.

Os técnicos também identificaram anúncios em canais dedicados a promover a imagem de Bolsonaro. “Nesta categoria, podemos citar o canal de youtube Bolsonaro TV e os aplicativos para celular “Brazilian Trump”, “Top Bolsonaro Wallpapers” e “Presidente Jair Bolsonaro”, diz o documento

Também chamou a atenção dos consultores o fato de o canal de youtube Terça Livre TV, pertencente ao blogueiro Allan dos Santos, integrar a lista de veículos que receberam publicidade oficial, com 1.447 impressões. Os analistas lembraram que, em oitiva realizada pela CPMI, em 5 de novembro do ano passado, Allan dos Santos afirmou que seus veículos de comunicação, incluindo o canal Terça Livre TV, “não recebem dinheiro da Secom”.

“Além disso, é muito difícil ou mesmo impossível identificar os proprietários da maior parte dos canais que recebem anúncios do Governo Federal por meio do Google Adsense, algo que põe em risco a avaliação do cumprimento dos requisitos legais necessários para que uma entidade se habilite como fornecedor de um produto ou um serviço ao Poder Público”, diz o documento.

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